A Bíblia tem 66 livros na tradição protestante (39 no Antigo Testamento e 27 no Novo) e 73 na tradição católica, que acrescenta sete livros ao Antigo Testamento. As bíblias ortodoxas ficam, em geral, entre cerca de 75 e 81.

Nenhuma dessas respostas está errada. Elas contam tradições diferentes, formadas por decisões históricas específicas, cada uma com data e motivo possíveis de rastrear. A diferença vem de escolhas antigas sobre quais textos entram na lista oficial de livros considerados Escritura, o cânone. Essas escolhas foram feitas em épocas e por grupos diferentes, séculos antes de qualquer uma das tradições atuais existir do jeito que existe hoje. O que segue é a contagem completa, seção por seção, e depois a história real por trás dessa diferença.

A resposta direta

A Bíblia protestante, a mesma usada pelo Terra Gospel, tem 66 livros: 39 no Antigo Testamento e 27 no Novo. A Bíblia católica tem 73: os mesmos 66, mais sete livros chamados deuterocanônicos, todos no Antigo Testamento. O Novo Testamento é idêntico nas duas tradições, e nenhuma delas adiciona ou remove um único livro dali. As bíblias das igrejas ortodoxas variam mais, e de tradição para tradição. A maioria fica entre cerca de 75 e 81 livros, e a etíope chega perto desse teto, incluindo textos como o Livro de Enoque, que nenhuma das outras tradições principais reconhece como Escritura.

Os 66 livros, seção por seção

A forma mais fácil de guardar os 66 livros é guardar as cinco seções de cada Testamento, sem tentar decorar a lista inteira. Elas aparecem quase sempre nessa ordem, em praticamente qualquer edição da Bíblia protestante.

TestamentoSeçãoLivrosQuantos
AntigoPentateuco (Lei)Gênesis a Deuteronômio5
AntigoHistóricosJosué a Ester12
AntigoPoéticosJó a Cantares de Salomão5
AntigoProfetas maioresIsaías a Daniel5
AntigoProfetas menoresOséias a Malaquias12
NovoEvangelhosMateus a João4
NovoHistóricoAtos1
NovoCartas de PauloRomanos a Filemom13
NovoCartas geraisHebreus a Judas8
NovoProféticoApocalipse1

Some as cinco seções do Antigo Testamento e dá 39. Some as cinco do Novo e dá 27. Trinta e nove mais vinte e sete fecha os 66. É a mesma contagem que aparece no texto sobre quanto tempo leva para ler a Bíblia, livro por livro, do mais rápido ao mais demorado.

Vale notar que essa divisão em 39 livros é a forma cristã de organizar o Antigo Testamento, e existe outra. A Bíblia hebraica, o Tanakh, usado no judaísmo, organiza o mesmo conteúdo em 24 livros, agrupados em Torá (5), Profetas (8) e Escritos (11). O conteúdo é o mesmo, e o que muda é a forma de dividir. O Tanakh trata Samuel, Reis e Crônicas como um único livro cada, e os doze profetas menores como um só rolo. A tradição cristã separa cada um deles, e é por isso que 24 viram 39 sem que um único texto seja acrescentado ou removido.

Por que o Novo Testamento é igual em toda parte

O Novo Testamento é o único ponto em que praticamente todas as tradições cristãs concordam por inteiro: os mesmos 27 livros, na mesma lista, seja a Bíblia protestante, católica ou ortodoxa. Essa lista fechou cedo. Em 367, o bispo Atanásio de Alexandria escreveu uma carta pascal aos cristãos sob sua liderança listando exatamente os 27 livros que compõem o Novo Testamento até hoje. Foi o primeiro registro conhecido dessa lista completa aparecendo junta, sem nenhum livro a mais ou a menos. Concílios posteriores confirmaram a lista, e nenhum a reabriu.

Por isso a discussão sobre 66 ou 73 livros gira inteira em torno de sete livros específicos do Antigo Testamento, e de qual coleção antiga cada tradição decidiu seguir. O Novo Testamento fica fora dela.

Por que a Bíblia católica tem 73 livros

A diferença entre 66 e 73 são sete livros do Antigo Testamento chamados deuterocanônicos, do grego para "segundo cânone", que a Igreja Católica reconhece como Escritura e a maioria das igrejas protestantes não:

  • Tobias
  • Judite
  • 1 Macabeus
  • 2 Macabeus
  • Sabedoria
  • Eclesiástico (também chamado Sirácida)
  • Baruque

A Bíblia católica também traz alguns trechos a mais dentro de Ester e Daniel. Esses trechos entram como parte dos livros já existentes, e não como livros extras. Por isso a soma para em 73 e não sobe além disso.

A raiz da diferença está em duas coleções do Antigo Testamento que já circulavam entre os judeus séculos antes de Cristo. A Septuaginta, uma tradução do hebraico para o grego iniciada por volta do século III a.C., incluía esses sete livros. O cânone hebraico que se consolidou depois, entre os rabinos, não os incluiu. Os primeiros cristãos liam majoritariamente em grego e herdaram a Septuaginta com os livros extras. É por isso que eles aparecem em traduções cristãs muito antes de existir qualquer divisão entre católicos e protestantes.

A separação formal veio bem mais tarde. No Concílio de Trento, em 1546, parte da resposta da Igreja Católica à Reforma Protestante, os sete livros foram formalmente declarados canônicos para os católicos. Os reformadores protestantes seguiram o princípio de voltar ao cânone hebraico original e optaram por não tratá-los como Escritura com a mesma autoridade dos outros 66. Lutero e outros ainda os imprimiam à parte, como leitura histórica proveitosa. Cada lado seguiu um princípio consistente ao longo de décadas de debate, e nenhum inventou sua lista da noite para o dia.

E as bíblias ortodoxas?

As igrejas ortodoxas não têm um único número fixo do jeito que protestantes e católicos têm, porque não existe uma autoridade central ortodoxa que publique uma lista igual para todas. Conforme a tradição (grega, russa, etíope, entre outras), a contagem costuma ficar entre cerca de 75 e 81 livros. A Bíblia da Igreja Ortodoxa Etíope chega perto do teto de 81, incluindo textos que nenhuma outra tradição cristã principal trata como cânone, como o Livro de Enoque e o Livro de Jubileus. Isso é o resultado natural de uma família de igrejas que preservou catálogos regionais próprios em vez de convergir para uma lista única, e ninguém ali está indeciso.

Curiosidades verificáveis sobre a estrutura da Bíblia

Os capítulos e versículos que aparecem em qualquer Bíblia impressa hoje não fazem parte do texto original. São uma adição medieval e renascentista, pensada para facilitar a localização de um trecho. A divisão em capítulos usada até hoje é atribuída a Stephen Langton, arcebispo de Canterbury, por volta de 1205, já no século XIII. A numeração de versículos veio depois, no século XVI: o impressor francês Robert Estienne a introduziu no Novo Testamento em 1551 e no Antigo Testamento pouco depois, encaixando os números dentro dos capítulos que Langton já tinha fixado três séculos antes.

A própria Bíblia King James, publicada em inglês em 1611 e usada como referência por gerações de tradução protestante, trazia originalmente os livros deuterocanônicos numa seção à parte, entre os Testamentos, chamada de Apócrifos. Ela os mantinha na edição, numa seção à parte, com autoridade menor que a das outras. Só em 1826 a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira decidiu parar de financiar edições com essa seção, sobretudo por causa do custo de impressão, sem que houvesse uma nova decisão teológica. Da geração seguinte em diante, a maioria das Bíblias protestantes impressas passou a sair sem os Apócrifos, formato que se tornou padrão até hoje.

Entre os 66 livros, Salmos é o mais longo em número de capítulos, com 150, mais que o dobro do segundo colocado, Isaías, com 66. Em número de palavras, o mais curto costuma ser 3 João, com pouco mais de 200 palavras no grego original, e 2 João vem logo atrás, quase empatado. Os dois são cartas completas, curtas o bastante para caber numa única página. Quem quiser começar a leitura por algo curto e conhecido pode ir aos salmos mais conhecidos.

A palavra "apócrifo" quer dizer a mesma coisa para todos?

Não. Muita gente tropeça aqui. Entre protestantes, "apócrifos" costuma ser o nome dos sete livros que a Bíblia católica inclui. Entre católicos, a palavra serve para outros escritos antigos que nenhuma tradição cristã principal aceita como Escritura, e os sete livros levam o nome de deuterocanônicos. Quando dois amigos discutem o assunto sem combinar o vocabulário, parecem discordar de tudo, e às vezes discordam só do nome.

Como descobrir qual lista a sua Bíblia segue?

O teste leva dez segundos. Abra o índice da sua Bíblia e procure Tobias, Judite, Sabedoria ou Baruque entre os livros do Antigo Testamento. Se aparecerem, sua edição segue a lista de 73 livros. Se o Antigo Testamento pular direto de Neemias para Ester e de Jó para Salmos, sem esses nomes, a lista é a de 66. Uma Bíblia ortodoxa costuma trazer ainda mais títulos, como 3 Macabeus, e o índice deixa isso à vista.

Por qual livro começar entre os 66?

Saber a contagem ajuda pouco se a leitura nunca começa. A tabela sugere oito pontos de partida, com o número de capítulos de cada livro e o tipo de leitor a quem ele costuma servir.

LivroSeçãoCapítulosCombina com quem
MarcosEvangelhos16Quer conhecer Jesus em um relato rápido e direto
JoãoEvangelhos21Busca o retrato mais pessoal de Jesus e frases para guardar
SalmosPoéticos150Precisa de palavras para orar quando as suas acabam
ProvérbiosPoéticos31Gosta de conselhos curtos, um por dia
TiagoCartas gerais5Quer uma leitura curta sobre fé que se vê nas atitudes
AtosHistórico28Deseja saber como a igreja começou
RomanosCartas de Paulo16Está pronto para um texto mais denso sobre a graça
GênesisPentateuco50Quer entender o início de tudo e o começo do povo de Deus

Quem está começando do zero costuma ir bem com Marcos ou João, e depois passar para Atos. Livros curtos como Tiago dão uma sensação de conclusão rápida, e isso ajuda a criar o hábito. Deixe Levítico e Números para quando a leitura já estiver firme.

Como o Terra Gospel organiza os 66 livros

O Terra Gospel segue o cânone protestante de 66 livros nas três línguas do site. Em português, o texto usado é a Bíblia Livre (ebible.org/porbr2018). Em inglês, a Berean Standard Bible, e em espanhol, a Reina Valera Antigua de 1909. As três são traduções de licença aberta, e as três seguem a mesma lista de 66 livros porque é a que este site consegue publicar de forma transparente, sem depender de licenciamento comercial, e ela não é a única lista possível. Para quem chega de uma tradição católica ou ortodoxa, vale dizer com clareza: os 66 livros daqui são um subconjunto real dos seus, sem edição nem resumo. Se a dúvida é qual versão ler, o texto sobre como escolher uma tradução da Bíblia compara as opções.

Ler qualquer um dos 66 livros, acompanhar o progresso por livro, fazer marcações e receber o versículo do dia são recursos grátis no Terra Gospel, em português, inglês e espanhol. Se você está decidindo por onde começar, o texto sobre quanto tempo leva para ler cada livro dá uma ideia do que cada um pede, de dois minutos em Filemom a mais de três horas em Gênesis. E para transformar a leitura em rotina, o plano de leitura bíblica organiza os livros dia a dia, e quem prefere ouvir encontra a Bíblia em áudio.